Manuel Campos
11/01/2019
Opiniao

Já era para ter escrito sobre o tema, mas escolhi esperar. Queria ter escrito na altura sobre a escolha de Marcel Keizer para assumir as funções de treinador principal da equipa de futebol sénior do Sporting, mas escrevo agora. O momento é outro. A perspetiva é outra.

Esperei para ver, esperei analisar. E, acima de tudo, esperar para passar o período mais crítico em que o Sporting precisava da calma para cimentar os alicerces para se reerguer dos acontecimentos internos do último ano. Escrevo hoje, no dia em que por coincidência atingimos dois meses certinhos em que não só Keizer enfrenta o seu primeiro clássico, como podemos começar a avaliar os analisar os primeiros impactos do seu trabalho.

Nestes dois meses, baixou o nível de ruído em torno do Sporting. Suspendeu-se também com a instigação à divisão interna. E Marcel Keizer chegou a Alvalade. Curiosamente no passado dia 12 de Novembro, dois meses certinhos antes do seu primeiro Clássico (a disputar este sábado), como o terceiro treinador da temporada. Vivia-se a fase final do período mais conturbado que o Sporting passou, com a qualificação para a Liga Europa quase garantida mas com o Clube ainda em crise interna. Entrou e respondeu da melhor forma – vitórias e golos. Numa fase inicial, a sua orientação foi extremamente positiva, porque ainda que a componente defensiva apresentava (e ainda apresenta) lacunas, mas a rápida capitalização de vitórias e golos serenou balneário, adeptos, sócios e a estrutura do clube.

Nestes dois meses, Keizer tem também sido de poucas palavras para a comunicação social. O seu discurso é curto e conciso, e não vejo mal nenhum. Vai direto ao assunto, não diz coisas descabidas, não se mete em confusões nem as alimenta. Não tem de o fazer, ao estilo de muitos treinadores portugueses. O seu trabalho não é de comentador nem especulador, mas de treinador. O seu trabalho é nos treinos diários, a implementar uma filosofia e estrutura de jogo, é estudar os adversários e montar uma equipa com uma filosofia de jogo e identidade própria, que também é capaz de explorar jogo a jogo as fraquezas dos adversários dentro das quatro linhas.

E é nessa linha que agora falo. Seguramente que não sou o único simpatizante do clube que reconhece os pontos positivos do trabalho de Marcel Keizer no Sporting. Mas que também não sou o único que exige mais em alguns pontos. Destaco o ponto principal, que é o aspeto defensivo da equipa. As duas derrotas da era Keizer pautaram-se por erros no terço dianteiro do terreno, mas foram determinadas por erros grandes da defesa. E no futebol, os erros defensivos pagam-se mais caros que os ofensivos. E não foi só nesses jogos que a defesa foi o elo mais fraco, embora destaque momentos positivos de Mathieu e Coates. Mas uma corrente é tão forte como o seu elo mais fraco. E, neste momento, a nossa defesa é o elo mais fraco, especialmente nas alas – Jefferson já passou o seu pico de performance, Lumor tem ainda que se impor, Ristovski ainda não convenceu, Bruno Gaspar inconstante. Estas opções têm de ser mais bem trabalhadas nos treinos, e/ou arranjar-se alternativas de primeira linha neste mercado de inverno. E falta-nos opções na transição. Durante anos tivemos também opções fortes na transição de jogo. Durante algumas temporadas, Adrien e William cumpriam com essa função mas desde as suas saídas que nos faltam opções. As suas saídas não foram compensadas.

E é este o trabalho que acho que o treinador e a direção deveriam ter em duas linhas. Com as duas derrotas e uma estagnação na qualidade de jogo da equipa, há quem diga que para Keizer, a lua-de-mel acabou. Discordo. Eu digo que falta o próximo passo. A Keizer peço que melhore o aspeto defensivo da equipa, pois sem uma defesa mais solida não continuamos a lutar. A Keizer peço também uma análise das fraquezas dos nossos adversários, a começar pelo Futebol Clube do Porto. A Keizer e à direção peço alas defensivas e um número 6. Com isso podemos montar equipa. Mas antes disso, ganhemos este sábado!

 

 

 

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